- Miss Nobody
- Voluntariamente autista, sociável com trouxas, fluência em melancolicês. Não tem dom de se expressar pela fonética, mas ama a escrita mesmo sem saber juntar a multidão de letras que seguem suas células. Apenas uma alma muda na imensidão de vozes.
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Água límpida da nascente da alma
Eu preciso da água que nasce de mim
Não tenho como prever quando essa temporada de seca, mudez e frio vai durar
Eu mudei outra vez para a estação da mudez
Depois de tão desesperadamente querer escrever querer expressar
querer querer querer
Talvez transbordei demasiado que sequei toda minha fonte
E tenho que lidar com esse peito sedento por água límpida
Muita sede me habita sem que nada que eu consuma a sacia
É inverno em plena primavera que tanto esperei
Tenho sede de algo e a neve é minha única bebida
Gélida como o frio que sinto dos medos que me paralisam mais uma vez
Eu bebo as raspas de neve tentando imaginar um sorvete docinho
Mas não, a minha boca está tão seca de doçuras apesar de toda a minha natural docilidade
Eu tenho afinidade com doçuras mas não é disso que tento debilmente dizer
É algo mais interno que mesmo a boca percebe a incompletude
É tanta a vontade de através das palavras poder mudar minha paralisia interior
Eu tenho me escondido como um animal que hiberna mas não sossega em sua toca
Esse animal se inquieta, se culpa, anseia por sair, se deprime, se força a não dormir e descansar porque ele deveria estar lá fora como todos os outros de sua espécie
Seus movimentos são dolorosos e quando ele percebe que não sabe acompanhar quer sumir para sempre em sua toca fria
Necessitando proteger algumas reservas que mal sabe como usar e torná-las palpáveis para o mundo
Tudo se volta mais uma vez para essa solidão de que ele não tem o que o mundo exige
E eu já gritei e chorei tanto que voltei para essa estação de pausa quando pensei que estava pronta para começar a mudar minha vida a fazer as coisas movimentarem no relógio que não cabe minha alma quebrada
De fato algo mudou para meu bem mas a seca que me arrasta nesse inverno me paralisa de agir com continuidade para beneficiar ainda mais a primavera que está existindo além de mim para algo que precisa de mim
A muito percebi que funciono por pausas mas não posso controlá-las quando tudo pede para eu ser mais rápida do que meu interior consegue e isso me deixa tão doente
Eu preciso me lavar, me limpar por dentro, beber a água da sabedoria de mim mesma
De quem realmente tenho sido a minha vida toda
Eu preciso aceitar essa minha estação muda, essa estação que tanto me incomoda até ela me mostrar o seu sentido
Estação da alma que tanto não sei explicar
Quero voltar a derreter com facilidade pelas vicissitudes
Sentir a graciosidade do dia a dia que a secura me rouba
Não gosto de mudanças elas me deixam doente
E eu quero me sentir sã
Sábia de mim mesma
Sylvia Plath repetiu para si mesma
"Respirei fundo e ouvi a batida presunçosa do meu coração
Eu sou eu sou eu sou"
Eu quero encontrar nessa temporada que me pede para olhar para quem sou
Terei água limpa para beber e distribuir para quem amo
A água de quem sou verdadeiramente sem me esconder
Por enquanto libero essas palavras com gosto de aprisionadas em mim
Elas doem para sair, imperfeitas como são, mas elas querem gritar para mim mesma
Eu existo eu existo eu existo
E como uma bruxa invernal irei extrair do inverno meu cálice de cura.
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