- Miss Nobody
- Voluntariamente autista, sociável com trouxas, fluência em melancolicês. Não tem dom de se expressar pela fonética, mas ama a escrita mesmo sem saber juntar a multidão de letras que seguem suas células. Apenas uma alma muda na imensidão de vozes.
Popular Posts
-
Sei que estou desmoronando mais uma vez é interno o corpo envia sinais o tempo todo é lento sinto a vertigem de quem está a beira do preci...
-
Água límpida da nascente da alma Eu preciso da água que nasce de mim Não tenho como prever quando essa temporada de seca, mudez e frio vai...
-
Dizem que somos poeira das estrelas, somos formados da mesma composição do universo. Somos universos particulares, cheios de constel...
-
Meu coração tem trinta anos mas as vezes parece que ainda não nasceu as vezes parece que já viveu tempo demais eternidades e efemeridades ...
-
E eu também desbotei soltei a cor quebrei galhos despetalei caí sequei eu parte dos fragmentos da natureza eu também decomponho desmorono e...
-
Me deram um coração plantinha silvestre Rasteira Quase invisível Alguns olhares despreparados olham e dizem: "isso aqui é só mato...
-
Todas as cartas de amor são Ridículas. Não seriam cartas de amor se não fossem Ridículas. Também escrevi em meu tempo cartas d...
-
Julho de 1880. Meu caro Théo, É um pouco a contragosto que lhe escrevo, não o tendo feito há tanto tempo, e isto por muitos motivos. At...
-
os olhos dela são de vidro e eu posso sentir a leve melodia de águas tranquilas quando por um instante meus olhos encontram os dela...
-
Em um lugar esquecido vivia um pequeno pássaro que todos os dias ao anoitecer cantava uma canção de apenas um verso, apenas uma melodia...
Blogger news
Tecnologia do Blogger.
domingo, 10 de maio de 2020
Nos dias em que me sinto solitária
há uma orquestra sobre mim
uma orquestra também solitária
talvez silenciosa para os apressados e desatentos
minha solidão me chama pra deitar
por que parece tão melhor quando o ouvido se deita?
por um instante deitar parece abafar tudo ao redor
há uma orquestra sobre minha cabeça
o universo dança harmonias ocultas
sistemas planetários
sistemas binários
astros solitários
astros errantes
rodopios e valsas
abraços gravitacionais
estou silenciosa
feito um satélite entregue ao nada
mas aqui bem longe dos astros cintilantes
do ofuscar das grandes danças
aqui no chão do meu sereno
vozes pequenas me enlaçam de suas vibrações
minhas noites por mais tristes que sejam
há o entoar quase anestésico de suas linguagens
ondas sonoras cheias de oscilações vibrações e chiados
um zumbido de calma paira no ar
sons que ressoam quase em brilho
cricrilar
cintilar
os seres grilos me trazem o cosmos pra perto
suas vibrações aladas ecoam
um coral vibrante
no grande salão do universo
quando ninguém me tirou pra dançar
os grilos me chamam
lá nas últimas badaladas da noite
no abandono úmido da madrugada
há uns grilos a ressoar distâncias
há uma harmonia tênue
há um fundo melodioso
quase sinto ser pega pelas mãos através dos ouvidos
ressonâncias espaciais
um som surdo de frequências que não atormentam
um convite silencioso
para fazer parte da orquestra da vida.
(Pequena homenagem aos seres da solidão,
aos seres do canto sereno
as criaturas que fazem a noite
que nos elevam ao silêncio dos astros
grilos e espaço, estrelas e solidão
a toda alma solitária um descanso
e um som universal da noite
em acolhimento auditivo).
segunda-feira, 4 de maio de 2020
Como uma floresta intocada
lá dentro do selvagem
existe uma árvore que ninguém vê
crescida do interior da escuridão
uma árvore faz a floresta
à sua volta descansa a vida
que por longos anos viu chegar de chão em chão
nenhum humano entrou naqueles bosques escondidos
nem se perdeu naquele lugar
de lá vem um som profundo dos ecos
sons primários entoados pelo vento
a solidão de uma árvore desconhecida
no meio de tantas árvores sem nomes
lá onde os raios de luz apenas denunciam uma imensidão
onde a luz solar e o luar chegam aos poucos
sobre um céu enfeitado de galhos
molduras de uma solidão aberta
lá penetrada por um céu intocável
tão alta como o que não se pode apalpar depressa
num lugar tão vasto que se tem por fechado ao alcance
onde os pequenos passos é que se percebem
lá vive essa nossa árvore protegida em suas próprias sombras
em suas assombrações esverdeadas
a quilômetros dali há uma casa plantada feito árvore
enchendo de cores os prados das lonjuras
com toda a sua solidão rodeada de vozes diversas
atraídos por seus canteiros de vida
traz para perto de si os chamados selvagens
tudo ao seu redor é eco de vida
juntas pelo mesmo chão
árvore e casa
solidão e espera
e há um corpo
livre para caminhar entre esses dois mundos
com suas cascas e raízes invisíveis
correndo como o vento
um corpo calado
pode ir até a árvore a casa e além
plantado na imaginação
ajunta florestas e jardins memoriais
traz a fauna e a flora
semeia um corpo uma árvore uma casa
paisagens ao longe
quem descansou as vistas
nessa floresta intocada de seu corpo?
aqui suspira toda obscuridade dos ecos distantes
arquiteturas paradas no tempo
lá vive essa nossa árvore protegida em suas próprias sombras
em suas assombrações esverdeadas
a quilômetros dali há uma casa plantada feito árvore
enchendo de cores os prados das lonjuras
com toda a sua solidão rodeada de vozes diversas
atraídos por seus canteiros de vida
traz para perto de si os chamados selvagens
tudo ao seu redor é eco de vida
juntas pelo mesmo chão
árvore e casa
solidão e espera
e há um corpo
livre para caminhar entre esses dois mundos
com suas cascas e raízes invisíveis
correndo como o vento
um corpo calado
pode ir até a árvore a casa e além
plantado na imaginação
ajunta florestas e jardins memoriais
traz a fauna e a flora
semeia um corpo uma árvore uma casa
paisagens ao longe
quem descansou as vistas
nessa floresta intocada de seu corpo?
aqui suspira toda obscuridade dos ecos distantes
arquiteturas paradas no tempo
origens florestais
a árvore sem nome
sem endereço
o uivo de imensidões abertas
a árvore sem nome
sem endereço
o uivo de imensidões abertas
selvagem e solitário
quanto mais interno mais uiva
e continuarás ecoando
um corpo que pela floresta
conhece o eco sem fim
do seu próprio coração.
segunda-feira, 30 de março de 2020
Minha pele tem conversado comigo
no meio do abandono
quando sinto falta de me sentir
ela me lembra que eu sou carne
ela me pede um abraço que não sei como dar
me deito e me cubro
me protejo no meu chão
no meu abraço de cobertor
eu conheço tanto esse processo
se encolher e ficar só
me acostumei a desaparecer
a minha luz está fraca
iluminações corporais existem
sentir que sente
translúcida
como se o sol andasse com os seus pés
pureza na pele
a existência tocada por ela mesma
firme de que pertence ao dia que acorda
eu quero estar onde as coisas puras moram
e eu toco o silêncio
tão vivo que posso segurar nas mãos nos dedos
o silêncio me tocou
as palavras sopram amor e criação
o meu nada existiu
toquei onde precisou ser tocado
minha pele é o papel enfim.
sábado, 28 de março de 2020
Seca como uma folha de outono
sem poder cair
sou guiada pelos sons
espero pelo sussurro da voz do vento
meu velho amigo
estou morta e ainda te ouço
eu sou a menina que conversa com o vento
estou secando e quero encontrar a vida
a última folha de uma árvore nua
cheia ou vazia tu nuncas se atrasas
solitário e andarilho vento
eu sou folha e sou árvore
quero ouvir o seu chamado
tu chegas como um amado
assobiando pra eu levantar
da minha janela crias movimento
é visto porque és sentido
mesmo que não vejam as suas asas
te realizas tocando o mundo
emprestas tuas asas e vais embora
da minha janela acorda as minhas cortinas
quando não quero ver a luz
eu me guio pelo seu som
e então eu posso cair entre o som do vento
esperando ser levada
vento, vento, vento
meu sopro nesse papel
também pode criar movimento?
domingo, 22 de março de 2020
Eu ainda deixo você saber em pequenos rastros
quem sabe eu ensaio o caminho da sua volta
ponho flores na sua estrada
laços de fitas e rendas nos galhos secos
mãos que trabalham com retalhos
enfeito essa borda da estrada já tanto pisada
o outono e eu fazemos das nossas folhas caídas poesia
tapete pra quem vai passar
passo primeiro quando não tem ninguém
conheço bem os caminhos do vazio
a primavera é solitária com suas sementes
faz todo um trabalho invisível de semear
só depois é que dão notícia da sua beleza
só depois é que ela aparece
passo por último quando todos já se foram
entardecida gosto de andar sozinha
por onde todo o mundo já andou
imaginando os caminhos que caminham ao meu lado em silêncio
devagar faço um pequeno caminho por onde você andou
eu carrego meus passos esquecidos tentando imaginar os seus
procuro os sinais da sua passagem onde nem tem
coloco lembranças como um botão de rosa que vai abrir no outro dia
descubro uma cestinha de sementes adormecidas no coração
me derramo na estrada que sou invisível
estar por último e ver mágica
como deixar algo e sair correndo antes para ver ao longe
eu vejo o depois de um canto das árvores
eu deixo um sorriso para alguém embrulhado nas asas do vento e sopro
mas até hoje não sei se dentro do coração se perguntam
se alguém passou por aqui antes
se sentem que fui eu
se esperam me encontrar ou eu voltar naquilo que me acharam
que imaginam meu cheiro pois o lugar ficou diferente
e ainda há meu cheiro nos troncos das árvores
estou imaginando o seu por aqui nessas estradas solitárias
eu receberia uma chuva de folhas
como se fosse
sua mensagem oculta
você sorriu?
terça-feira, 17 de março de 2020
Inspiração celeste
cadê o seu toque em minha pele
tenho caminhado anestesiada
não sei dizer o que estou sentindo
se estou sentindo
como se nada pudesse tocar onde eu preciso
resfriamento e esvazies
continuo falando sem som por um grito abafado
minha garganta vive mais cheia de ar
como se quisesse trazer algo que não está lá
ar de palavras que nem se formaram
os lábios se abrem como uma sede
a pele parece inteira calada
enquanto o diafragma manda sinais
e meu cérebro sente falta da minha pele
eu quero chegar até a superfície
sentir alguma profundidade tocada por cima
sentir a inspiração na minha pele
mas apalpo e não me sinto
o diafragma manda sinais
o ar é o único que está circulando
meu coração quer ser tocado
mas não encontro resposta de minhas lágrimas
eu espremo as lágrimas como palavras
mas nem as lágrimas querem falar
de dentro pra fora procuro o abraço de mim mesma
a tristeza está velada
o sofrimento está velado
minha alma está velada
minha pele está velada
das tumbas eu
arranho a minha estrutura conformada
eu quero falar em sentidos
despertar minha nova pele.
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020
Meu amor é um lugar escondido
uma montanha sagrada e solitária
a névoa cobre a sua solidão de tons suaves
e eu espero ele aparecer
lá no seu mesmo lugar
entre as nuvens
eu desejei ser nuvem para passar em suas alturas
tocar a sua solidão com maciez
eu olho para ele tão longe
e desejo seu abrigo de silêncio e distâncias
eu quero proteger meu coração nele
cobrir do meu amor
ser uma nuvem e sua montanha
eu quero fazer parte da sua calma
perdida nos horizontes
meus olhos habitam montanhas solitárias
e eu espero ele aparecer
nos horizontes
no meio do vazio azul
nas cores ensolaradas eu espero ele aparecer com sua sombra
meus olhos se acalmam de ver suas elevações distantes
seu formato assombreando meu horizonte
presença de montanha
o horizonte fica mais bonito quando você aparece.
Assinar:
Postagens (Atom)