- Miss Nobody
- Voluntariamente autista, sociável com trouxas, fluência em melancolicês. Não tem dom de se expressar pela fonética, mas ama a escrita mesmo sem saber juntar a multidão de letras que seguem suas células. Apenas uma alma muda na imensidão de vozes.
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julho
(13)
Bernardo é quase uma árvore
Silêncio dele é tão alto que os passarinhos ouvem
de longe
E vêm pousar em seu ombro.
Seu olho renova as tardes.
Guarda num velho baú seus instrumentos de trabalho;
1 abridor de amanhecer
1 prego que farfalha
1 encolhedor de rios - e
1 esticador de horizontes.
(Bernardo consegue esticar o horizonte usando três
Fios de teias de aranha. A coisa fica bem esticada.)
Bernardo desregula a natureza:
Seu olho aumenta o poente.
(Pode um homem enriquecer a natureza com a sua
Incompletude?)
Manoel de Barros.
(Ser o Bernardo, se sentir tão íntimo em seu silêncio, que as coisas chegam até ele em seu estado de simplicidade com que ele corresponde aos seres e a vida, o respeito ao todo em que se faz parte. Um dia um professor de filosofia perguntou na sala de aula, se você pudesse escolher ter nascido outro ser vivo, o que você gostaria de ser? Houveram diversas repostas dentro do reino animal mas somente eu habitei o reino das plantas, eu disse então, "eu queria ser uma árvore", o professor ficou surpreso, talvez porque geralmente as pessoas usam as plantas de forma pejorativa nos últimos tempos pra identificar alguém que não faz nada ou é quieto demais em seu canto, de certo são tolos, não menos que um olhar despreparado como aqueles que olham um lugar verde e coberto pelo selvagem e só conseguem chamar de mato, ver só mato, daí a palavra triste, desmatamento. E eu escrevi o porque de eu querer ser árvore, tão somente pelo fato de me identificar com elas, onde o falar e fazer assume outras formas ocultas mas não menos expressivas. Ser árvore pode parecer solitário, já que meu espírito é desse tom arbóreo, mas árvores são sinônimos de abrigo, são receptoras das criaturas, servem aos seres que muitas vezes estão de passagem cansados e famintos, pertence às esperas sazonais, são sombras, tornam o ar mais fresco e puro, ensinam sobre o silêncio de continuar crescendo a partir de um mesmo lugar, sobre acima de tudo a resistência. Tenho maior respeito por esses seres tão ancestrais e sábios da terra, queria um dia abraçar um pinheiro, ou quem sabe estar perto de uma sequoia gigante, das árvores mais antigas do planeta, para me sentir pequena e insignificante da forma mais poética e humilde possível através de seres que paradas em seus lugares onde fincaram suas raízes suportaram as tempestades, as ventanias, o fogo, as mudanças climáticas e aprenderam renascer de si mesmas e a se defender de onde estão, entre inverno e primavera. Deve ser bom se saber enraizada em seu lugar de ser o que você nasceu pra ser, ou mesmo se enraizar em outro ser que lhe permita crescer como árvore inteira).
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