- Miss Nobody
- Voluntariamente autista, sociável com trouxas, fluência em melancolicês. Não tem dom de se expressar pela fonética, mas ama a escrita mesmo sem saber juntar a multidão de letras que seguem suas células. Apenas uma alma muda na imensidão de vozes.
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Imagine um pequeno ser que fica combatendo algo invisível e que foge dentro do próprio cérebro para não adormecer no silêncio, imagine ...
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Esse desenho sou eu se fosse uma imagem da minha cabeça personificada, de alguma das maneiras que me imagino. É sempre uma grata surpresa encontrar desenhos como esse tão cheios de poesia que ultrapassa as letras. Expansão, é essa a palavra. A poesia se transmuta em várias formas na visão do poeta. Eu amo quando a poesia encontra as imagens que alguma palavra não foi suficiente para expressar e então se estende nessas paisagens da alma. Lembro que um dos primeiros desenhos que arrisquei fazer sobre algo que escrevi foi um pássaro-árvore ou como gosto de chamar de uma árvore com alma de passarinho. Eu sou uma eternamente apaixonada por desenhos, ilustrações e pinturas que fazem essa transmissão poética, já quis morar em tantas e eu amo encontrar um desenho que revela exatamente algo que eu havia escrito ou sentido e que posso ver em outras dimensões que outro também enxergou, são dessas coincidências bonitas da vida, encontrar os pensamentos, os sentimentos e sensações, as palavras que se comunicam diretamente com o que estava dentro de você, e torna aquilo vivo, e ainda mais poético. Gosto de olhar algumas imagens que me passam a sensação de "growing", algo se expandindo de nós, crescendo através de nós, transpassando a carne, transcendendo o corpo em mutação, mostrando a profundidade exposta crescendo pra fora depois de tanto sufocar-se por dentro, enfim livre da casca, algo crescendo da sua solidão de um corpo que não cabe a própria mente, de um frágil e passageiro corpo que muitas vezes não suporta o quanto as emoções podem ser fortes e maiores que sua estrutura aguenta e ao mesmo tempo esse corpo resiste como sua pequena fortaleza e proteção do seu ser único, e ele busca meios de se expandir de si mesmo pra dar conta de toda essa imensidão que ele guarda sem entender muitas vezes o que ela é. É tão necessário acolher essa casquinha, essa pele momentânea, que muitas vezes me identifico com um processo no mundo animal, dentro de um clado chamado Ecdysozoa, aqueles que passam pelo processo de Ecdysis, que ao longo de seu crescimento e expansão, vão deixando cascas pelo caminho, sofrendo várias mudas graduais ao seu processo de viver, o corpo em mudas, em transições de dentro e fora de si. Assim como a metamorfose, acho um dos processos mais poéticos da natureza, em que crescer se processa em abandonar as próprias cascas velhas pelo caminho, quando o exoesqueleto desses animais já não os veste mais, já não comporta o seu ser que necessita se expandir mais uma vez de si mesmo, então a casca é liberada e outra nasce. Talvez por isso me aproximei ainda mais dos insetos, a natureza fala em tantas formas. Eu sempre sinto essa agonia de casca, de mudar de pele, de deixar sair esse incomodo superficial quando algo dentro emite sinais que precisa de espaço para crescer mais, sair pra fora, abandonar o corpo. Talvez um poema nasça disso tudo pois acho interessantes as Ecdysis, a própria formação de um poema me remete a esse processo, quando seus sentimentos já não cabem no corpo e precisam ser expelidos como uma casca. Você já viu uma casca de cigarra? São chamadas exúvias. Manoel de Barros sabiamente um dia poetisou sobre elas no seu poema Árvore, "e descobriu que uma casca vazia de cigarra esquecida nos troncos das árvores só presta para poesia". Sim, até mesmo as cascas são material para poesia, relíquias naturais do processo de vir a ser, do torna-se, e bem-vindos aqueles que também ainda enxergam poesia de suas próprias cascas vazias anteriores, pois também foram sua casa e abrigou com todo cuidado o que ainda estava se formando dentro de ti mais uma vez.

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